— Tolisses

Coisas do Ulisses Mattos

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Diálogo doméstico

– Antes desse filme aí, temos que ver o novo do Batman juntos. Estreou há semanas e você ainda não viu.
– Eu não vou ver o Batman. Eu não gosto do Batman.
– Você não gosta do Batman???!!!! Você tá louca? Como a gente pode estar casado há tanto tempo se você não gosta do Batman?
– Eu já te falei que não gosto do Batman várias vezes. Você finge que não ouve.
– Como você pode não gostar do Batman?
– Ele virou herói por causa de um trauma. Eu não gosto disso.
– Mas e o Peter Parker? Ele também vem de um trauma!
– E quem disse que eu gosto do Homem-Aranha?
– Não gosta do Homem-Aranha? Como a gente pode estar casado há tanto tempo se você não gosta do Homem-Aranha? Você gosta de quem, então?
– Já falei que eu só gosto dos X-Men!
– Por que você gosta deles e não dos outros?
– Porque eles são mutantes! São heróis por causa de mutação. Eu gosto de saber que eu posso ter uma mutação e começar a voar.

Silêncio. Depois ela continua:

– E não gosto do Super-Homem. Aquele ET.
– Eu também não gosto do Super-Homem. Alienígena com poderes inexplicáveis.
– É!

Por isso estamos casados há tanto tempo.

Este mês foi realizada a primeira edição do Nerd Rio, evento organizado para celebrar quadrinhos, games, cosplays, webcelebridades etc. Quando soube, fiquei com muita vontade de comparecer, mas ainda fiquei com um pé atrás (mais adiante explico por quê). Acabei indo mesmo, mas de uma forma muito muito muito legal: como integrante de um debate entre humoristas sobre super-heróis. Fui chamado para a seção “O Maior Super-Herói de Todos os Tempos”, ao lado de Fernando Caruso, Rafael Studart e Henrique Wikz, onde cada um defenderia um personagem diante das situações propostas pelo mediador, Pablo Peixoto.

Pela reação da plateia durante e depois do evento, o resultado foi muito melhor do que se esperava. O vídeo abaixo registra todo o debate, recheado de piadas sacanas, acusações ultrajantes e defesas absurdas. Eu fiquei com a tarefa de fazer Wolverine vencer. Acompanhem aí o papo para ver quem venceu:

Ah, sim. Por que fiquei com um pé atrás de comparecer ao Nerd Rio? Como minha adolescência foi nos anos 80, nunca tive muita vontade de me assumir como nerd. Agora todo mundo bate no peito pra dizer que é, mas pra mim ainda fica difícil fazer isso. É claro que já fui a alguns eventos de quadrinhos e seriados de TV, que obviamente eram dedicados a uma parcela do público nerd. Mas isso era apenas insinuado, implícito. Agora o “nerd’ vai no nome do evento, não tem como esconder.

Com o convite do organizador, Marcos Castro, ficou mais fácil aparecer. Se alguém me perguntasse lá se eu sou nerd, ia dizer apenas que estava lá pra falar de super-heróis, que são a versão moderna das velhas mitologias. E para fazer piadas, trabalhando como humorista. Daria meu jeito para não me assumir nerd. Aliás, tive que fazer isso diante de uma câmera, em uma ótima reportagem da TV Facha. Vejam, em 1:30, um dos meus depoimentos:

Espero que me chamem para as próximas edições. Só assim curto tudo de dentro do armário nerd.

Participei como convidado da 5oª edição do Audiotronik, podcast do Lektronik. O site é sobre games, mas o programa é sobre cinema, séries e até joguinhos, mas tudo pautado pelo humor, afinal dois dos três integrantes são envolvidos com o mundo da comédia de alguma forma.

É claro que eu não estaria lá se fosse para falar sobre games, pois não sei nada sobre o tema. Ou sei? Será que o convívio com o PSP do meu filho me ensinou algo? É o que vocês podem conferir ouvindo a conversa, na qual falei também sobre o novo filme do Homem-Aranha. E ainda falei sobre orangotangos escravizados para embalar Kit Kat e trabalhar com Clint Eastwood. O papo contou com uma convidada surpresa, a divertida Manu Barem, do Jezebel.

Para ouvir online, é só ir nesse link: http://lektronik.com.br/audiotronik-50-eu-e-minha-boca-cheia-de-gatos.

Para baixar, clique nesse aqui: http://lektronik.com.br/wp-content/uploads/2012/07/audiotronik_50.mp3 

A MAD era uma das minhas leituras obrigatórias no fim da infância e adolescência. Não imaginava que um dia iria fazer para a revista uma das sátiras de cinema que eu tanto curtia. Foi o que aconteceu depois da estreia do filme “Thor”, quando recebi a encomenda de um roteiro zombando da produção, enfiando também X-Men e algo de Vingadores no meio. Gostei do resultado, que saiu na edição 38, de maio de 2011. Ainda mais porque o texto ganhou a sensacional arte do talentoso Camaleão.

Não vou escanear cinco páginas da revista, mas aí vai um trechinho da sátira:

Para ter uma ideia da história, é uma boa conferir esse link no blog do Camaleão, onde a arte está completa, mas sem o meu texto nos balões. Mas o melhor mesmo é pegar um exemplar num sebo qualquer. Baratinho.

Para o episódio 12 da primeira temporada de “Os Gozadores”, no Multishow, propus uma trama baseada nesse meu texto, sobre os problemas sexuais dos super-heróis. Adaptei a ideia para a história de um especialista em quadrinhos que é chamado para estrelar um filme pornô com super-heróis. O cara leva seu respeito aos personagens tão a sério que inviabiliza a produção.

Pelo que soube, foi um dos episódios com mais audiência na série. Não esperava menos. Afinal, escrevi uma cena com a participação de Sidney Gusman, do Universo HQ, e Alexandre Ottoni, do Jovem Nerd, que avisaram a seus leitores.

Série da produtora 2 MLKS, com redação final de Álvaro Campos.

O que impede que um rapazinho com um dos maiores QIs do planeta, admitido no MIT aos 15 anos, se torne um nerd solitário com mais intimidade com computadores do que com mulheres?

A resposta: um irrefreável desejo de curtir os prazeres da vida. Ainda mais quando se torna o herdeiro de um império industrial aos 21 anos. Esse é Anthony Stark, mais conhecido na alta-roda como Tony, um dos maiores playboys de todos os tempos, dono de uma fortuna avaliada pela revista Forbes como a oitava maior no mundo da ficção. O número de mulheres que ele faturou não está (ou melhor, está) no gibi da Marvel, editora americana que publica suas aventuras desde a criação por Stan Lee e Jack Kirby, em 1963. Os quadrinhos até mostraram o sujeito em romances mais sérios.

Mas o garanhão já foi retratado perdendo a paciência com uma delas e jogando-lhe na cara que ela era apenas mais um peixe em seu oceano. E o que faz um playboy quando decide ter superpoderes? Simples: constrói uma máquina mais possante do que qualquer um dos carrões que tem em sua mansão em Malibu. Assim, Tony decidiu brincar de super-herói vestindo a armadura do Homem de Ferro. Reparem que ele poderia escolher identidades como “Homem Metálico” ou “Superencouraçado”, mas fez questão de que seu nome de guerra lembrasse a expressão chula “passar o ferro”. Coisas de Tony.

A vida de super-herói não evitou que nosso ídolo continuasse caindo na farra e até enchendo a cara. Tony ficou conhecido nas HQs por seus poderosos porres, e muitos apostam que ele poderia até ter convertido sua armadura para ser movida a álcool. Mas, verdade seja dita, ele nunca foi de drogas mais pesadas.

Para ele, consumir heroína era simplesmente levar a Mulher Hulk ou a Vespa para a cama. E, como nunca foi de dispensar aranhas, Tony também traçou a Mulher- Aranha e a Viúva Negra. Para se ter uma ideia do quilate da última, quando a biografia de Tony foi parar no cinema, chamaram Scarlett Johansson para interpretar a bela russa. E Robert Downey Jr., escalado para o papel principal, ficou tão bem como o bon-vivant que foi cotado pra interpretar o maior playboy de todos os tempos, Hugh Hefner. Mas aí já é outra história…

 

Por Ulisses Mattos

Publicado originalmente em junho de 2010, na coluna “Os maiores playboys de todos os tempos”, na revista Playboy.

Engana-se quem acha que os super-heróis não têm vida sexual ou sofrem com suas taras ou opções. Mas como os gibis são lidos por algumas crianças, nada é mostrado. E é justo porque não conseguem ter uma vida erótica satisfatória que muitos heróis procuram se realizar fora da cama, caçando e combatendo exaustivamente os vilões e ameaças da humanidade. Veja alguns casos de frustrações sexuais de nossos protetores:

Super-Homem – Pobre Kal-El. Único ser de sua poderosa raça. Super-homem é praticamente um homem virgem. Na adolescência, quando seus poderes ainda tinham menor intensidade, foi a um prostíbulo de uma cidade perto de Smallville. O jovem Clark Kent não conseguiu terminar o serviço, pois seu vigor deixou a prostituta em coma. Seus pais adotivos até tiveram que subornar a polícia para não prenderem o jovem alienígena, já que, diante do estrago causado, todos acharam que ele tinha estuprado a meretriz. Desde aquele dia, Super-Homem teve que se contentar com uma vida dedicada ao o­nanismo. Seu casamento com Lois Lane não envolve sexo. Super-Homem tenta satisfazê-la apenas com seus quentes raios óticos, alternando com supersoprinhos.

Wolverine – O poder de se recuperar instantaneamente de qualquer lesão física é ao mesmo tempo uma benção e uma maldição para o mutante canadense. Um corte em Wolverine cicatriza em questão de segundos. Por essa razão, Wolverine nunca conseguiu ver sua própria glande, que está sempre coberta por uma densa pele. Nenhuma cirurgia de fimose deu jeito, já que assim que o bisturi cortava o prepúcio, ele se auto-reconstituía. Wolverine tem ereção e consegue penetrar orifícios, mas não tem nenhum prazer. Por isso é tão nervoso.

Senhor Fantástico – Reed Richards, líder do Quarteto Fantástico, tem um problema evidente com seu corpo elástico. Pode-se perceber que quando seu braço estica, fica sem consistência. O mesmo ocorre com seu pênis, que quando aumenta quando excitado, perde toda a rigidez. Pode-se dizer que o Dr. Richards é fantasticamente impotente. O mesmo mal assola o Homem Elástico, aquele do suspeito colante vermelho.

Batman – Este sombrio herói é obcecado por morcegos. Adora se vestir como morcego, morar como morcego (em caverna) e agir como morcego. O problema é que os morcegos são grandes sugadores. E é assim que o perturbado bem-feitor procura prazer: apenas sugando ou lambendo. Adepto apenas do sexo oral, Batman dispensa penetrações. No começo de suas relações, suas namoradas até ficam felizes com a habilidade oral de Batman, mas logo se aborrecem quando percebem que o sujeito é incapaz de consumar o ato e entrar em cavernas mais apertadas.